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ARTIGOS: PERCEPÇÃO 

Percepção vigilante


Percepção vigilante

Percepção, observação, atenção, vigilância, posição do observador... Estas palavras denotam as mesmas coisas. Ser vigilante significa viver conscientemente ao longo do dia, da semana, do ano, ou para toda a vida. É uma constante percebermos nossa situação, nossas sensações, pensamentos e ações. Por exemplo, enquanto eu caminho pela rua posso perceber o ar a minha volta, pássaros cantando, outras pessoas, meus pensamentos, minha respiração, meu corpo, meus passos. Quando me alimento, sei o que estou mordendo e deglutindo. Quando corro, posso sentir minha respiração e o caminho por onde corro e onde meus pés pisam. Alguém pode dizer : “Eu também sei que estou indo a uma loja ou para o trabalho e sei o que estou fazendo”. Entretanto, não é tão simples assim. Quantas vezes já lhe aconteceu de ter trancado a porta e retornado para certificar-se que a havia realmente trancado? Naquele momento, você estava pensando em algo completamente diferente e não estava percebendo tudo o que estava fazendo. Quantas vezes você procurou por alguma coisa da qual não se lembrava onde havia deixado? Isso não acontece se a pessoa for uma pessoa vigilante, pois uma pessoa vigilante sabe que ela está virando a chave ao trancar a porta. Então esta pessoa não precisa procurar pela chave porque ela está consciente de onde a guardou. Vigilância é atenção permanente. Quando estamos vigilantes, não nos fundimos com as coisas. Estamos em uma posição de observador.


A MENTE

Nossa mente trabalha por si própria, sem nosso controle. Você não acredita nisso? O que você faz quando vai a algum lugar, ou quando senta em seu carro? Você fala consigo mesmo. Todo o tempo, durante todo o dia, toda a vida, antes de dormir; e pela manhã imediatamente após acordar, você entra novamente no mesmo carrossel. O resultado é que você acaba não aceitando uma opinião diferente da sua e muda a engrenagem para a forma estereotipada. A mente de uma pessoa assim imediatamente condena idéias diferentes, música, estilo de vida, comida, ou um programa de TV. “Eu não gosto desta música”, diz alguém sem sequer ouvi-la. A mente interfere imediatamente e a pessoa definitivamente condena qualquer coisa que não corresponda à sua convicção.

Continuamos pensando sobre o passado; justificamos nossos atos e procuramos por alguém que nos apóie em nossas justificativas. Isso porém não colocará nossos atos sob uma luz melhor. Somente nos sentimos bem quando alguém concorda conosco e nos defende. Já escutei muitas vezes: “Eu lhe disse para não interferir. E então, imagine, começou a gritar comigo”. E queremos que nosso ouvinte nos diga que fizemos o certo. Nós freqüentemente escutamos a nós mesmos e nossa mente é nossa confidente e justificadora.


PENSAMENTO E PERCEPÇÃO

“Pessoas comuns percebem tão pouco que acabam esquecendo que existe uma diferença entre o pensar e o perceber. Esqueceram-se a ponto de acharem que aquilo que pensam é o que percebem. Projetam seus pensamentos a uma realidade externa e assim, continuamente, afastam-se da realidade, substituindo-as por seus pensamentos”. Victor Sanchez.

Pensar não é perceber. O pensamento humano é focado no mundo externo de onde extrai situações encontradas individualmente e então continuamente as revê, anexando-se novamente a elas. Além do mais, a mente muda a realidade experimentada e pára de perceber o mundo como é, substituindo-o por seus próprios pensamentos. Ainda conversamos conosco sobre nossa vida, quer seja sobre o que fizemos, justificando nossas atitudes, sentindo-nos ofendidos, ou quer criando nossas preocupações. Pensar é parte do nosso ego. Mantemos nossas idéias sobre nós mesmos e sobre este mundo sempre moldadas pelo nosso pensamento.

Na percepção vigilante ou na meditação, uma pessoa volta-se para seu próprio interior, sua consciência. Esta pessoa pode ver a realidade externa sem limitar-se a ela ou identificar-se com ela. A meditação ocorre em qualquer lugar e em qualquer momento. Então por que deveria estar restrita a determinado momento do dia, posição do corpo e com os olhos fechados?


O MOMENTO PRESENTE

Passado, Presente e Futuro – isto é o tempo. Vivemos em um mundo que não é estável. O cronômetro nunca pára. Algumas pessoas adivinham o futuro, outras pensam sobre seu passado e avaliam suas ações pensando todo o tempo: “Será que eu devo fazer isso?”, “Eu não deveria ter ido lá”, “Eu deveria ter contado a ele”, “o que pensei sobre isso”, “Ontem eu estava no jardim”. Todos os pensamentos estão concentrados no passado ou no futuro, não permitindo que nossa mente se foque no presente. Entretanto, o presente é o único momento que podemos influenciar. Existe um grande segredo neste pequenino, tão curto momento, entretanto. Por que devemos lidar com nossos atos do passado e por que devemos justificá-los? Eles não podem ser mudados; somente podemos aprender com eles. E o futuro? Tampouco nos pertence. Poderemos não estar mais aqui no próximo segundo. As preocupações diárias que as pessoas criam são inúteis, porque amanhã poderá ser completamente diferente. Então vocês dizem a si mesmos que se preocuparam tanto, mas a situação acabou sendo diferente e que suas preocupações de ontem foram mesmo inúteis. E o Presente? É imperceptível pela mente. Quando a mente começa a lidar com ele, já é Passado. Você consegue compreender? Ah, agora entendo... Agora, neste instante, ISTO! Agora e o que? ISTO – mas já se foi... O Presente é sempre novo.


PARA QUE SERVE AFINAL?

Assim, você reconhecerá a você mesmo, seus pensamentos, atitudes; descobrirá suas rotinas e ganhará conhecimento a partir dos hábitos de outras pessoas. Você se libertará de seus preconceitos e falsos caminhos, porque você poderá enxergar. Você terá habilidade para enxergar o lado interior das pessoas; perceberá suas fraquezas e intenções. Não desperdiçará suas energias e não ficará preocupado ou zangado. Permanecerá em paz e tranqüilo. Nada poderá tirar seu equilíbrio. Ao transferir a vigilância para o seu sono, você poderá entrar no limiar dos sonhos vigilantes. Você não terá mais a impressão de ter “desperdiçado tempo” em várias situações. Começará a notar com prazer pequeninas coisas e se encantará com elas. Até mesmo uma folha caindo de uma árvore o fará feliz. Sentirá a liberdade e muitas outras coisas também. Experimente e verá!

A Vigilância tem me proporcionado mais do que quaisquer outras possíveis teorias, livros, opiniões e discussões. É a experiência do “ser” que pertence somente a você (é muito difícil colocar em palavras).


COMO COMEÇAR?

Praticá-la é realmente simples. Sinta e observe tudo a seu redor, o máximo que puder, tente focar naquilo que esteja vivenciando, percebendo, pensando, conversando, etc.

É possível começar agora mesmo: seus olhos seguem cada linha deste texto. Sinta onde você está sentado e qual a posição do seu corpo, suas mãos, sua respiração, e tudo o que está a seu redor. Sossegue seus pensamentos e esteja o mais atento possível. Leia o texto e tente percebê-lo. Enquanto escrevo estas linhas, eu percebo como meus dedos deslizam pelo teclado; como vejo o monitor, e sinto a posição do meu corpo e o som do universo ambiente.

O mais fácil (relativamente) é caminhar pela rua e tentar ser vigilante somente por um instante, mas até o momento que você se aproxime de seu destino, a somente alguns passos de distância. Você verá que não é tão simples assim. Então, torne-se consciente de pequenas atitudes como calçar os sapatos, entrar no carro, etc. Ao aproximar-se de alguém e iniciar uma conversa, tente também ser vigilante. Pronuncie as palavras claramente e sem pressa – faça-o com consciência. Você sentirá uma mudança no horizonte, ao comparar com sua conversa normal, quando você diz tantas palavras inúteis. Então você pode tentar qualquer coisa que venha a sua mente: comer vigilantemente, caminhar, ler, assistir TV, fazer compras. Você não precisa dizer: “Agora estou sentado, agora estou caminhando, agora estou respirando” – isso funciona também sem pensar, somente fazer.

No início, é muito difícil permanecer como um observador por um longo período de tempo. Com o tempo, será mais fácil, mesmo em situações mais duras. Com o tempo, manter a atenção será automático. E então, manter a vigilância se tornará uma parte óbvia e natural de você. Você até ficará surpreso do porquê as pessoas não observarem isto.

E agora, ao fim deste parágrafo? Você ainda está vigilante? Sente sua respiração e a posição de seu corpo?


VIGILÂNCIA E RESPIRAÇÃO

Observar sua respiração é uma das ferramentas mais poderosas que podem ser utilizadas para acalmar sua mente. Não é necessário alterar seu ritmo; você não precisa fazer nada. Entretanto, ao observar sua respiração, você a aprofunda um pouco. À medida que percebo minha respiração – inspiração e expiração – depois de um tempo sinto que esta respiração tornou-se meu purificador. Meus pensamentos tornam-se menos pesados e a atenção fica mais acurada a cada inspiração, como se uma brisa estivesse soprando dentro de mim.


VIGILÂNCIA AO CAMINHAR

Sempre estamos caminhando. Caminhamos todos os dias. Caminhamos até o banco, até o restaurante, até uma loja, até o cinema. Caminhar tornou-se uma atividade automática. Para chegarmos a algum lugar nós caminhamos, nossos passos têm sempre um destino. Muitas vezes nem sequer sabemos em quais lugares estivemos e o que vimos no percurso do nosso caminho. Nossa mente está ocupada com o pensar. Entretanto, é o caminhar que pode nos levar às mais lindas das meditações. É simples. É o suficiente apenas caminhar e olhar ao redor, permitir influenciar-se pelo ambiente, tranqüilizar sua mente, aprofundar sua respiração e simplesmente ser. De repente, você percebe que gosta de caminhar. Você não precisa ter um destino certo; caminhar simplesmente pelo ato de caminhar – o mais bonito de todos. Se você está atento durante sua caminhada, você poderá sentir energia e conforto. Seus passos serão diferentes. As pessoas a sua volta também sentirão. Onde quer que você vá, sua caminhada será como uma caminhada em um bosque – uma caminhada em paz. As pessoas a sua volta dirão: “Hoje aquela pessoa está tendo um bom dia”. Entretanto, você não terá um dia melhor, todos os seus dias serão agradáveis.

Certo dia, eu experimentei caminhar sem destino. Era Outono e folhas coloridas caíam das árvores; o vento brincava comigo. Eu observava minha respiração, as cores, e as folhas pairando no ar. Depois de algum tempo, encontrei um homem. Ele parou e me perguntou: “Aonde você vai com este tempo?” “Vou caminhar no bosque”, respondi. “Mas, por que está indo para o bosque? Nesta época do ano, não há mais cogumelos para apanhar”. É uma pena pensarmos que o ato de caminhar tenha que ser feito sempre com algum propósito definido.


ALGUNS CONSELHOS

Não tente lutar com seus pensamentos. A luta com eles os deixará mais fortes. Se quiser enfraquecê-los, concentre-se na sua essência interna e perceba o mundo ao seu redor sem julgá-lo. É importante começar seu dia tranqüilizando seus pensamentos. Tente ser vigilante em todas as situações. Entretanto, no início, é mais fácil estar vigilante quando você está sozinho, por exemplo, durante sua caminhada e outras atividades simples. No início, é difícil praticar a vigilância quando você conversa com outras pessoas e quando você está em situações intensas. Mais tarde, torna-se uma experiência muito bonita. É mais fácil começar pela manhã do que tentar sustentar sua atenção no meio do dia. Se estiver cansado, ou em uma situação maçante e tenha problemas para permanecer vigilante, mude esta situação, ou faça alguma coisa diferente. Se ainda você não tiver disposição para a vigilância, leia algum livro ou algum artigo que poderá motivá-lo. É muito bom trocar suas experiências com alguém que também pratique a vigilância.


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